Há muito, há miles de anos, desde que os europeus e os asiáticos entoavam em seus cantos os deuses romanos, já viam-se prévias desse fenômeno que cresce. E mesmo estes deuses romanos também nasceram na velha Grécia. Depois desses tempos, virou tanta festa que deu no que deu: os indígenas mais integrados à "civilização" usam roupas como a gente; toda a filosofia que estudamos (e que não estudamos) é importada; segundo Kevin Zegers, em Transamérica, "os japoneses se matam por um Nike velho"; "Mariana foi pro mar e eu fiquei a ver navios"...ingleses, holandeses, portugueses. Ah, claro! Minha banda também toca rock.
Sim, ainda há em mim, em nós, um resquício de embolada, frevo, tango, lambada, ou até mais que um resquício. Mas a nossa banda também toca rock, e há de tocar rock.
Raul Dias
segunda-feira, março 17
Minha banda toca rock
terça-feira, março 4
Glória, Música e Lua
Sabe, aconteceu comigo, a oportunidade me foi dada e eu aproveitei, mas eu acho que fiz minha hora.
Noite de lua cheia, não havia lobisomem, casa de praia. No terraço. Mas eu não estava sozinho. É aí que entra a Música, na novela de três protagonistas e um batalhão de coadjuvantes.
Logo de cara se vê a Lua, luminária da Natureza. Notável pela ausência das nuvens, limpa e radiante. E como aos bons pratos acompanham bons vinhos, vamos ouvir o Cazuza e Raul Seixas, descobrir o nosso MDC e buscar a ideologia pra se viver, pegando de carona "um trem para as estrelas", para assim tirar proveito da situação e observar que "infinita é tua beleza", Lua santa do altar.
Toca-se Beatles então, no violino refinado, aprimorado de "Eleanor Rigby", como uma música feita para agradar aos deuses, mas que anuncia o cerco se fechando, das nuvens que acortinam a "estrela-mor".
E no rugido da peleja do mar com si mesmo, e com as rochas que se quedam à beira dos montes praianos, na massagem da mente das palavras de Chico Buarque, na nudez do luar, rouba a cena um pássaro, da cor da noite, que canta livre, porque não tem calada a boca, na Terra da Esperança, a que acompanha no canto o Vandré, e em tal condição vão "caminhando e cantando e seguindo a canção".
Agora, eu me sinto ótimo, porque é "sempre assim, cai o dia e é assim, cai a noite e é assim, essa lua sobre mim", tão brilhante que parece que sentiu a música como aquelas cobras que se levantavam, hipnotizadas, em histórias árabes, de cestos de palha.
É nessas horas que dá orgulho de contemplar o céu da pátria, como outrora fez o Braga, "fazer irreverências mil pra noite do Brasil", e ouvir tão boa música, a verdadeira música brasileira, que aos nossos ouvidos, os tratam como autoridade. E eu repito o que o MPB-4 repete: "mente quem diz que a Lua é velha".
Noite de lua cheia, não havia lobisomem, casa de praia. No terraço. Mas eu não estava sozinho. É aí que entra a Música, na novela de três protagonistas e um batalhão de coadjuvantes.
Logo de cara se vê a Lua, luminária da Natureza. Notável pela ausência das nuvens, limpa e radiante. E como aos bons pratos acompanham bons vinhos, vamos ouvir o Cazuza e Raul Seixas, descobrir o nosso MDC e buscar a ideologia pra se viver, pegando de carona "um trem para as estrelas", para assim tirar proveito da situação e observar que "infinita é tua beleza", Lua santa do altar.
Toca-se Beatles então, no violino refinado, aprimorado de "Eleanor Rigby", como uma música feita para agradar aos deuses, mas que anuncia o cerco se fechando, das nuvens que acortinam a "estrela-mor".
E no rugido da peleja do mar com si mesmo, e com as rochas que se quedam à beira dos montes praianos, na massagem da mente das palavras de Chico Buarque, na nudez do luar, rouba a cena um pássaro, da cor da noite, que canta livre, porque não tem calada a boca, na Terra da Esperança, a que acompanha no canto o Vandré, e em tal condição vão "caminhando e cantando e seguindo a canção".
Agora, eu me sinto ótimo, porque é "sempre assim, cai o dia e é assim, cai a noite e é assim, essa lua sobre mim", tão brilhante que parece que sentiu a música como aquelas cobras que se levantavam, hipnotizadas, em histórias árabes, de cestos de palha.
É nessas horas que dá orgulho de contemplar o céu da pátria, como outrora fez o Braga, "fazer irreverências mil pra noite do Brasil", e ouvir tão boa música, a verdadeira música brasileira, que aos nossos ouvidos, os tratam como autoridade. E eu repito o que o MPB-4 repete: "mente quem diz que a Lua é velha".
Raul Dias
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